Meu nome é Fabricio Costa. Sou engenheiro de software há cerca de vinte anos e passo os dias colocando inteligência artificial para fazer trabalho de verdade — o tipo que roda sozinho de madrugada e acorda alguém quando quebra. O FabricioIA é onde eu conto o que funciona, o que quebra e por quê, segundo a minha visão.
De onde eu venho
Antes do teclado de computador vieram outros. Fui músico por mais de dez anos na juventude, tocando em bandas — ensaio no fim de semana, equipamento subindo escada, palco pequeno. Sou multi-instrumentista mais por curiosidade que por virtuosismo: baixo, guitarra, violão, piano, teclado, bateria, cajón, ukulele, viola caipira e flauta. Agora estou começando no acordeão, que me devolveu com juros a sensação de ser iniciante em alguma coisa.
Meu chão é o rock progressivo — música que só se entrega depois da terceira audição, feita de estrutura, tempo estranho e paciência. De uns anos para cá tenho andado atrás de música raiz de outros povos: chinesa, japonesa, turca, árabe, nativo-americana, andina e, principalmente, indiana. Cada uma dessas tradições resolve as mesmas perguntas — escala, ritmo, tensão, repouso — por um caminho que a minha não usa, e ouvir isso ensina o mesmo que ler o código de outra pessoa: quase nunca existe um só jeito certo.
Há dez anos tive câncer de rim. A cirurgia foi às pressas, rim e tumor saíram juntos, e a recuperação foi longa. O que me segurou naquele tempo foi aprender a fazer flautas de bambu: cortar o tubo, achar a afinação, abrir furo por furo, corrigir na lima e ouvir de novo. Fiz dezenas delas e presenteei quase todas para quem aparecia para me visitar. Saíram quena, bansuri e pífano, mas a que eu mais gostei de fazer — e de tocar — foi a NAF, a flauta nativo-americana: som simples, escala que perdoa e a impressão de que o instrumento respira junto com quem sopra.
Hoje sou músico católico: toco e canto na missa, e é dessa música que cuido com mais gosto agora — ensaio, repertório, gente que canta junto. O que a gente faz está no canal Nossa Missa, no YouTube.
Coleciono relógios — passei de cinquenta peças, quase todas mecânicas ou de linhagem japonesa: Seiko, Orient, Citizen, Technos e um punhado de outras marcas que foram aparecendo pelo caminho. Tenho exemplares da Orient dos anos 70 ainda funcionando, o que é o ponto todo da graça: um objeto montado meio século atrás, sem uma linha de código dentro, que segue fazendo o trabalho dele todo dia. Engenharia que dura é um assunto que me interessa em qualquer escala.
Minha rotina profissional é banco de dados, integração e o código que sustenta operação — sistemas em que uma consulta lenta vira telefone tocando e um erro de arredondamento vira reunião. Trabalhei a maior parte desse tempo com sistemas que atendem pessoas que depende deles para trabalhar: omnichannel, gestão de chamados, controle operacional, telefonia com Asterisk, relatório que fecha o mês.
Foi vindo daí que a inteligência artificial me interessou, e não pelo lado que costuma aparecer em vídeo. A pergunta que eu levo para cada modelo novo é a de sempre, a mesma que eu faria a qualquer biblioteca: isso aguenta produção? O que acontece quando a entrada vem suja, quando a API devolve 500 no meio da madrugada, quando o texto volta em um formato que o código não esperava, quando a conta chega no fim do mês?
Hoje eu construo e opero agentes de IA — programas que recebem uma tarefa, usam ferramentas de verdade e devolvem trabalho pronto. Alguns são meus e rodam para mim; outros foram feitos para quem me contratou. É desse banco de teste que sai quase tudo que você lê aqui.








O que é o FabricioIA
Um blog sobre inteligência artificial aplicada, escrito para quem constrói com ela ou vai decidir sobre ela. Os assuntos giram em cinco eixos:
- Agentes — como montar, o que dar de ferramenta, onde eles erram e o que fazer com um agente em produção.
- Modelos e ferramentas — qual usar para quê, o que muda de um para o outro na prática e quanto custa de verdade.
- Fundamentos — o vocabulário do assunto explicado sem mistificação, para a conversa sobre decisão não travar no jargão.
- Carreira e ofício — o que muda no trabalho de quem programa, e o que continua valendo exatamente como antes.
- Negócios e riscos — o que empresas acertam e erram ao adotar IA, e os riscos que só aparecem depois.
O que você não vai achar aqui: promessa de renda, curso disfarçado de matéria, ferramenta recomendada porque me pagaram — nunca me pagaram — e notícia requentada de lançamento. Quando escrevo sobre uma ferramenta é porque ela passou por alguma coisa minha.
Como as matérias são feitas
Uma matéria daqui nasce de um problema que eu tive. O caminho é sempre o mesmo: eu testo, anoto o que aconteceu — inclusive o que deu errado — e só então escrevo. Número que aparece no texto é número que eu medi ou que veio de fonte citada no próprio texto; quando é estimativa, está escrito que é estimativa.
Uso inteligência artificial para trabalhar, e seria estranho esconder isso num blog sobre IA: ela me ajuda a levantar material, revisar e organizar rascunho. O que ela não faz é decidir o que vai ser dito. A apuração, a experiência relatada, os exemplos e a revisão final são meus, e a responsabilidade pelo que está publicado é minha — sem exceção. Se algo aqui estiver errado, eu corrijo a matéria e registro a correção nela.
O resto do domínio
O blog é a porta deste endereço, mas não é a única coisa que mora nele. Aqui também ficam ferramentas pequenas que nasceram de um incômodo meu no meio do trabalho, sistemas que atendem gente de verdade e jogos que fiz por gosto — todos no ar, com endereço e tudo. A lista completa está em Projetos.
Falar comigo
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